cao assustado

Se as festas de fim de ano são só alegrias para nós, para os animais não é bem assim. O pânico que eles sentem com o barulho ensurdecedor dos fogos de artifício é negligenciado pela maioria dos donos, mas precisam de atenção especial. Assustados, eles podem até fugir de casa e se perderem ou sofrerem acidentes. Alguns até chegam a chegar ter convulsões, tamanho o pavor. Mas, com um pouco de atenção, dá pra diminuir o sofrimento.

 

Instinto + linguagem corporal dos donos = pânico

Um som muito alto, com origem desconhecida, assusta qualquer animal. “O mesmo acontece com o trovão ou com o escapamento de moto”, aponta o adestrador Bruno Marques Ferreira. Esse medo, puramente instintivo, se desenvolve e se transforma em fobia à medida que o cão observa a postura dos donos. “Nós, involuntariamente, ensinamos o cão que ele deve temer os fogos através de nossa linguagem corporal”, explica. Afinal, quem nunca acolheu o filhote no momento em que ele se mostrou assustado com o barulho das explosões?

 

Postura de herói

Ao contrário do que muitos pensam, tentar acalmar o cachorro tem um significado diferente para o animal. “Ele vê seu dono, aquele que aos seus olhos é destemido, acanhado no canto do sofá com ele, falando baixinho”, ressalta. O adestrador recomenda, portanto, que se reaja de forma oposta do usual. “Ignore a situação e vá ao encontro do perigo: se aproxime da janela ou da varanda, erga a cabeça, estufe o peito. Mostre o cão que não há motivo para temer”, indica.

 

Recompense sempre

Existe, também, uma solução ainda mais eficaz para o problema: procure por CDs ou gravações com sons de fogos. “Reproduza esses sons em volume baixo, de modo que o cão não reaja, e premie com um biscoito”, recomenda. Aumente o volume gradativamente, recompensando sempre. “Esse processo, chamado de dessensibilização, consiste em expor o animal a algo no qual é reativo até que não o incomode mais”, explica. “Junto à dessensibilização é feito o contra-condicionamento, no qual o cão começa a relacionar o som dos fogos a uma recompensa, e não a algo assustador.”

 

Ensine desde cedo

Sempre precisamos ficar atentos as nossas posturas perante os animais. Para explicar melhor, Bruno faz uma analogia: “cães chegam em nossas casas como um pen-drive vazio e nós vamos colocando informações, regras e experiências. Ao contrário de um CD, que já vem pronto”, diz. Assim funciona com os filhotes que, ainda “vazios”, precisam receber informações positivas a respeito dos fogos. Com os cães mais velhos, é preciso um pouco mais de paciência. “O pen-drive permite que seja adicionada novas informações e retiradas outras”, relaciona. No entanto, cães com medos extremos precisam de uma forcinha extra. “Procure a ajuda de um profissional que trabalhe exclusivamente com reforço positivo para ajudá-lo nessa missão”, aconselha. Também converse com seu veterinário sobre a possibilidade de administrar uma medicação contra ansiedade ou, então, algum sedativo. No entanto, essa deve ser a última opção: o uso excessivo desses medicamentos pode deixar os cães ainda mais ansiosos.

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